Tendências nas Certificações de Sustentabilidade

Estivemos no webinário “Trends in Sustainability Standards” iseal logoda ISEAL Alliance para trazer a você as tendências nas Certificações de Sustentabilidade explanadas pela Diretora Executiva da organização, Karin Kreider.

A ISEAL Alliance é organização não-governamental para a promoção e fortalecimento das certificações de sustentabilidade em prol das pessoas e do meio ambiente. A ISEAL fornece expertise em credibilidade nas certificações e demonstração de resultados a partir de suas implantações, evidenciando a melhoria regional da atividade em questão.

FSC (Forest Stewardship Council), Bonsucro, RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil), RTRS (Round Table Responsible Soy) são alguns exemplos de certificações membros da organização. Estas, contribuem e seguem os Códigos de Boas Práticas da ISEAL. Os setores abrangidos pelos membros da ISEAL são: têxtil, indústria florestal, aquicultura, commodities agrícolas, biocomércio, biomateriais, turismo e esporte, joalheria , óleo e gás; e há também um crescimento em certificações em novos setores: mineração, eletrônicos, infraestrutura; carne, couro, laticínios e pecuária, arroz e clima/carbono.

Eis os principais pontos que retivemos:

O Uso de Certificações Continua a Crescer

A produção de mercadorias certificadas está crescendo drasticamente, especialmente nos setores de agricultura, indústria de pesca e óleo de palma. Os resultados de uma pesquisa encomendada à Globescan sobre a utilização prevista de certificações de sustentabilidade indica que, entre os 99 entrevistados que já adotam certificações de sustentabilidade, 55 informaram que pretendem aumentar esta utilização nos próximos 5 anos, e entre os 98 entrevistados que não utilizam estas certificações, 65 informaram que suas organizações provavelmente começariam a adotá-las nos próximos 5 anos.

O aumento do entendimento e do uso de certificações nas economias em desenvolvimento, em especial Brasil, China e Índia, é essencial para aprimorar os impactos das certificações de padronização. Novas leis na China, por exemplo, permitem que certificações surjam localmente; no Brasil, a certificação brasileira do setor de café Certifica Minas funciona de forma equivalente à certificação internacional UTZ; e na Índia, de 2012-2014, áreas com certificação FSC cresceram de 19.000 ha para 463.000 ha. Em geral, o crescimento anual de certificações em países em desenvolvimento (2012 – 2015) foi de 32% no Brasil, 42% na Índia e 133% na China.

Novas Abordagens para a Sustentabilidade em Escala

Novas abordagens para a sustentabilidade em escala incluem novas maneiras de controlar impactos e riscos à cadeia de fornecimento, como por exemplo o aumento do compromisso em relação à desmatamentos. Empresas que possuem este comprometimento estão utilizando a certificação para remover o desmatamento de suas cadeias de fornecimento. Desmatamento “zero” é parte de uma abordagem mais ampla do cenário. Do que estamos falando? Fornecimento responsável de regiões, soluções em escala, verificação baseada em riscos para questões críticas, matrizes de usos do solo, gestão e planejamento multi-stakeholder e intersetorial do uso do solo (abordagem por paisagem) e abordagem por paisagem usando limites jurisdicionais.

Governos Cada Vez Mais Engajados

Atualmente os governos enfrentam uma pressão constante para implementar compromissos globais de sustentabilidade e demonstrar progressos em relação à Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Guia de Princípios sobre os Direitos Humanos das Nações Unidas, Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas e compromissos para erradicar a escravidão moderna; para isto as certificações são vistas como uma oportunidade.

Mas como os governos estão se engajando com as certificações? Co-regulação: utilizando certificações como um meio de demostrar conformidade com políticas governamentais para receber subsídios, benefícios fiscais ou acesso ao mercado de compras governamentais. Reconhecimento mútuo: governos conduzindo certificações nacionais; construção de pontes via reconhecimento mútuo entre certificações nacionais e internacionais de sustentabilidade. Outros modos: usando o conteúdo das certificações para desenvolver regulamento e políticas nacionais; subsidiando produtores de certificação; certificação de ativos públicos (florestas, pesca). A certificação de ativos públicos é feita historicamente na Europa e América do Norte, e mais recentemente em florestas indianas (FSC).

Certificações Inovando para Melhorar seu Acesso e Escala

Novas abordagens quanto à inovação são importantes para atualizar e fortalecer funções essenciais das certificações, novas tecnologias podem simplificar seus sistemas e aumentar o valor agregado, por exemplo sistemas de certificação como ferramentas de gestão de dados, alinhamento de segurança e monitoramento e avaliação, reporting automatizado e em tempo real (tecnologia móvel, sensores, satélites), eficiência em rastreabilidade e competência em auditoria, que definitivamente deve aumentar. Estas tecnologias de suporte, ao longo do tempo, vêm sendo parte de um processo harmonioso de avaliação e certificação de dados, e são novas oportunidades para a evoluçao do papel das certificações: parcerias setoriais para ampliação, quantificação de impactos quanto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a utilização de sistemas de certificação como a verificação baseada em riscos para pontos críticos e plataformas de informação e capacitação.

Colaboração das Certificações para Conduzir Impacto

Com o apoio da ISEAL, seis sistemas de certificações de sustentabilidade trabalham em conjunto para empoderar e proteger trabalhadores através de suas certificações. Esta aliança se chama Global Living Wage Coalition e, a longo prazo, pretende promover a melhoria de salários mínimos em fábricas, na agricultura e nas cadeias de fornecimento participantes de seus sistemas de certificação. Para isto, foi preciso entender como é realmente possível mudar a escala de impacto das certificações, e o trabalho em conjunto é o único modo, companhias e ONGs trabalham em parceria para criar metodologias ou benchmarks, dependendo da região/país para aumentar salários. Em 2016, mais de 20 benchmarks e estudos estão em curso, um manual foi criado para calcular referências de salários urbanos e rurais e para avaliar diferenças salariais, e companhias estão investindo ou garantindo fundos para benchmarks e planejam utilizar estas referências para aumentar salários em suas instalações. Outra aliança apoiada pela ISEAL é a Integraded Pest Management Coalition, composta de oito membros trabalhando para reduzir o uso de pesticidas nas cadeias de fornecimento, os planos são de agir para eliminar pesticidas altamente perigosos, encontrar alternativas para seus usos, e criar ferramentas que tenham uma utilização em comum pelos produtores, para isto será publicado um manual para a gestão de pragas e um banco de dados será criado.

Para mais informações sobre o tópico, confira na íntegra a apresentação do webinário “Trends in Sustainability Standards” no vídeo a seguir: