Sustainable Brands – Rio 2015

A 3ª edição da Sustainable Brands Brasil ocorreu dos dias 25 ao 27 de agosto na cidade do Rio de Janeiro. O Sustainable Brands existe desde 2006 com o objetivo de inspirar, engajar e reunir líderes de negócios e marcas inovadoras com apelos sustentáveis. Em 2016, são esperadas 12 conferências no mundo todo (todos os continentes).

O evento este ano teve como tema o mote HOW NOW – como a inovação em sustentabilidade está transformando os negócios agora – contou com plenárias e workshops com a apresentação de como organizações estão modificando suas atitudes em busca de um futuro mais próspero no curto e no longo prazo.

5 grandes plenárias foram o fio-condutor do evento:

– como reorientar os negócios?

– como inovar em sustentabilidade?

– como redesenhar a produção e os mercados?

– como as marcas podem engajar as pessoas?

– como conectar com as necessidades da sociedade?

Além das plenárias, diferentes formatos de workshops ocorreram durante os três dias do evento nos quais empresas apresentaram os desafios vividos atualmente: a troca de experiências entre os participantes globalmente retratava quais eram as atitudes complementares que as empresas devem enfrentar frente às problemáticas vividas por elas, frutos de seus impactos negativos ou impostas pelo contexto econômico, político, social e/ou ambiental.

 

O que mais nos chamou a atenção:

Plenária: Como reorientar os negócios

A plenária inicial contou com Koann Srzyniarz ressaltando que a expansão da Sustainable Brands no mundo representa acima de tudo uma mudança de comportamento do consumidor.

Apesar da mudança de comportamento ser um fato, André Palhano da Virada Sustentável ressaltou que o cidadão médio não tem ‘os valores sustentáveis’ claros. A ideia, construção e a evolução da Virada Sustentável vieram de uma (simples) constatação: a abordagem utilizada frente as ações educativas são negativas “não faça isso”, “preste mais atenção a fazer aquilo”. A sacada do movimento é de promover a sustentabilidade de maneira positiva com instalações artísticas, com festa! O caráter heterogêneo do evento foi evidenciado por empresas baseadas na economia colaborativa, onde não há exatamente uma organização protagonista nos movimentos. Resultado: em 2014, mais de 900 mil pessoas frequentaram os 4 dias do evento. Saiba mais sobre o movimento aqui.

Tânia Braga, Gerente Geral de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Comitê Rio 2016 explicou sobre os desafios ao lidar com a maior logística temporária global em termos de paz levando em conta a sustentabilidade.

Sobretudo como o Comitê se utiliza do processo de compras para garantir sua origem, por exemplo, dividindo entre “visível” e “invisível”. Por “visível” temos a sede temporária do Comitê no qual foi exigido dos construtores que o imóvel apresentasse uma economia de luz de 70% e que 80% dos materiais da sede fosse reaproveitada. Dentro de “invisível”, realizando cotações exclusivas com fornecedores que atendessem às exigências do Comitê de acordo com o produto/serviço necessário: peixe sustentável, alimentos e madeiras certificados, etc.

Obviamente este processo demandou a elaboração de critérios muito específicos para cada produto realizados através de workshops e treinamentos junto à área de compras, tendo em vista a escala dos recursos necessários para os Jogos Olímpicos.

Alejandro Litovski, da Earth Security Index, realizou uma intervenção alertando que é igualmente importante compreender o entorno das áreas de madeira ou alimentos certificados. Trouxe um case interessantíssimo relatando que o entorno de áreas com madeira certificada tem seus riscos sistêmicos aumentados, por exemplo a ocorrência de incêndios intencionais fruto do aumento populacional.

Litovski sublinhou o dilema brasileiro da vulnerabilidade da matriz energética X segurança energética.

Práticas locais para implementação na estratégia global: Maya Colombani, da L’Oréal,  compartilhou como um comitê de sustentabilidade multidisciplinar e sem hierarquia contribui frente ao desenvolvimento de produtos nos rincões do Brasil, incentivando e capacitando a economia local uma vez que produtos típicos regionais são as matérias-primas dos produtos da companhia, como babaçu, pracaxi e murumuru.

 

 

Plenária: como inovar em sustentabilidade

Contrastando as evoluções entre os um hospital e de uma escola nos últimos 100 anos, Cláudio Sassaki fundador da Geekie, mostrou como a tecnologia Big Data pode contribuir na educação.

Basicamente, o conceito de educação pela maioria das escolas é alunos se formando por “lotes”, tendo todos os alunos dentro de uma sala sendo ensinados de uma mesma maneira. A plataforma entende qual o ritmo de cada aluno e identifica as lacunas de aprendizado. A tecnologia preditiva cruza as informações do aluno frente a seus objetivos do vestibular.

Pedro Massa, da Coca-Cola, relembrou a evolução da atenção da Coca-Cola no Brasil frente às demandas sociais. Retomou a história da Coca-Cola com ênfase em ações de filantropia à evolução da Responsabilidade Social Corporativa e da integração da sustentabilidade dentro do core-business da empresa. “Dentro da premissa do valor compartilhado que ao resolver problemas sociais e ambientais, a gente consegue alavancar o negócio”.

 

 

Plenária: como redesenhar a produção

Andrew Morlet, do cradle-to-cradle (C2C), explicitou o conceito de berço a berço e suas vantagens técnicas. Relembrando o C2C prega que os produtos devam ser remodelados em busca de uma economia circular. Ou seja, um produto pode ser desmontado e as peças que o compõem possam ser aproveitadas em outros produtos. Já que a reutilização é menos custosa do que a reciclagem.

Também batendo na tecla de repensar os produtos, Gui Brammer da WiseWaste trouxe cases de sucesso em logística reversa e da reinserção de materiais reciclados dentro das cadeias de produção.

Indústria Química

Emiliano Graziano, gerente de sustentabilidade, contou como a BASF conduz seus 353 sites produtivos através do programa “sustainable solution steering”, baseado na análise das necessidades e tendências de sustentabilidade na cadeia, verificação do desempenho de sustentabilidade do setor produtivo dentro dos segmentos de mercado e desenvolvimento de planos de ação com enfoque em P&D.

Mobilidade

A BMW esteve presente para reforçar seu objetivo estratégico de ser o principal provedor de mobilidade premium no mundo. Esta transição em parte é feita pelos avanços com carro elétricos, junto a toda a infraestrutura requerida para tal.

Construção civil

A Newinc é uma incorporadora do Centro-Oeste do país que tem uma proposta de obra sem caçambas. Todos os resíduos gerados em suas obras na construção civil são reinseridos no processo produtivo e aplicados exclusivamente em casas a serem sorteadas entre os funcionários da obra.

 

Plenária: como as marcas podem engajar as pessoas

A responsabilidade da empresa corresponde ao tamanho de seu poder, segundo Yacoff Sarcovas, da Edelman Significa. Por responsabilidade, entenda-se mudar o comportamento interno à empresa e de seus stakeholders, criando-se assim a cultura de sustentabilidade.

Já Fred Gelli, da Tátil Design, entende que as empresas necessitam entregar para o mundo o que o mundo precisa. Que o mundo é protagonista e não mais as marcas.

A construção da relação entre as marcas e as pessoas precisam se reinventar: a prerrogativa dos bordões comerciais (reclames) foi substituída pelas virais da internet.

Ainda sobre a evolução do marketing, Thomas Kolster traz que as empresas devam se importar com os clientes e não simplesmente fazer anúncios de seus produtos. O conceito de Goodvertising, também título de seu livro, aponta este caminho como o único para que o público em geral volte a ter confiança na publicidade. Exemplos clássicos são as campanhas de Dove sobre a auto-estima feminina e a da Body Shop frente aos testes de cosméticos com animais.

Sirikul Laukaikul nos presenteou com conceitos de branding sustentável baseada na metodologia Sufficiency Economy Philosophy.

 

Plenária : como conectar com as necessidades da sociedade

 A interação entre os setores privado, poder público, academia, ONGs veio à tona com a fala de Eduarda La Roque, do Instituto Pereira Passos, apresentando o Pacto do Rio: por uma cidade integrada.

O GPA possui 360 mil empregados no Brasil. Através de uma de suas bandeiras de sua rede de supermercados, o Extra, o projeto Viva Bairro busca criar e apoiar ações de impactos socioambiental envolvendo as comunidades no entorno das lojas gerando valor compartilhado e desenvolvimento local. Mais info aqui 

The Nature Conservancy (TNC) foi representada pelo seu Gerente Nacional de Água, Samuel Barrêto trouxe fatos e constatações de que a ideia da abundância da água está perdendo força com a crise de gestão hídrica. Interessante levar em conta que apesar de 13% da água doce do mundo estar no Brasil, somente 16% estão nas regiões mais populosas (Sul, Sudeste e Nordeste).

Por fim, mas não menos importante, Rick Ridgeway relatou como a Patagonia surgiu e cresceu sempre buscando harmonia com a sociedade e o meio ambiente. Saiba mais sobre sua responsabilidade corporativa aqui.