Evento anual do GHG Protocol Brasil 2016

GHG2016Estivemos no Evento Anual do GHG Protocol realizado pelo GVces no auditório do hospital Sírio Libanês. O anfitrião Antonio Carlos Cascão, diretor do hospital, trouxe a questão do monitoramento da energia em uma perspectiva história. Desde a época do apagão no final dos anos 1990, é realizado um monitoramento de todas as fontes de energia. Este monitoramento possibilitou à organização identificar a melhor unidade a realizar as medições (MJ), o indicador que melhor representa sua performance (MJ/m²) e trabalhar para a conversão da usina de geração: passou de 100% de diesel no início do apagão para 70% de gás natural e 30% diesel hoje.

George Magalhães, relembrou a parceria do GVces com o WRI para o estabelecimento do GHG Protocol no Brasil, após um projeto submetido ao governo britânico. O objetivo era, e permanece, de difundir a cultura de inventário de emissão GEE através do desenvolvimento de métodos e ferramentas gratuitas, mas também promover a capacitação das empresas, estabelecimento de um registro público de emissões e a articulação entre atores-chave.

No primeiro ano do GHG Protocol Brasil, 27 empresas fizeram parte. Hoje, há novas parcerias nacionais e internacionais e se tornou a maior plataforma online sobre emissões da América Latina. Alguns dados:

  • 2500 downloads da ferramenta
  • 12576 acessos únicos ao registro público de emissões
  • Mais de 40k acessos ao site
  • 388 usuários ativos
  • 226 inventários publicados em 2016

Destaque para o governo de Santa Catarina que publicou 86 inventários.

De 2015 a 2016, 20 novas empresas passaram a responder o GHG Protocol e 17 deixaram de fazê-lo. Estes 17 deixaram de publicar seus inventários em função de cortes e redução de custos implicados para a sua realização.

Highlights

A relevância do Programa vem crescendo, os inventários do GHG Protocol no Escopo 1 representaram 9% das emissões nacionais, ou seja,  à 98,7 MtCo2 equivalente. (excluindo mudança no uso de solo no SEEG).

O Escopo 2 representou 14% do consumo de energia elétrica do país, excluindo o uso residencial.

88% das empresas já relatam o Escopo 3, ou se preferir, inventariam a cadeia de valor.

Avanço das empresas que realizam o inventário:

Outro ponto positivo foi a evolução das classificações dos inventários do programa: 49% ouro, 45% prata, 6% bronze. Realizando uma simples comparação, em 2007, 57% dos inventários eram bronze.

17 empresas relataram metas de redução.

71 empresas, ou 52,2% com indicadores relatados ; ou seja, gerenciam a informações com indicadores (físicos)

Insights frente à economia de baixo carbono

E1: Há um potencial de redução de emissão através da implementação de novas tecnologias + disseminação de soluções.

E2: O mercado livre de energia é, igualmente, uma alternativa para a redução das emissões: foco no fotovoltaico e eólica.

E3: A gestão de emissões ocasionadas pelo transporte é o ponto de partida para inventariar as emissões dentro da cadeia. Buscando maior engajamento e escalabilidade da cadeia de valor.

 

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Emissões no mundo..

O evento dedicou uma mesa redonda voltada ao acordo de Paris e as oportunidades de atuação para o setor privado brasileiro.

A grande sacada do acordo segundo os integrantes da mesa é promover a combinação de abordagens top-down com bottom-up de maneira ampla.

Nela, os países são responsáveis pelo cumprimento dos compromissos assumidos segundo suas legislações nacionais. Os países relatarão quais são seus compromissos nacionais ao longo do tempo e fornecerão informações para o acompanhamento do progresso em implantação

Tendo em vista que o Protocolo de Quioto trazia a mitigação das emissões, o Acordo de Paris busca a mitigação mas traz a adaptabilidade em sua concepção. Em 3 de agosto de 2016, 22 países já haviam ratificado o Acordo.

Cooperação entre países com diversos instrumentos a buscar o baixo carbono à mercado de emissões entre países → Sinal para preço global de carbono, foco no desafio de estabelecimento de uma metodologia para mensurar a tonelada equivalente entre os países.

… e no Brasil

Os desafios nacionais pós-Paris, segundo a mesa:

– Ratificar o acordo

– Internalizar os compromissos no sistema jurídico nacional

– Revisar política & instrumento e formatar os meios de implementação

O Brasil, em seu INDC (Intended Nationally Determined Contribution) declara como meta uma redução de 37% até 2025 e 43% até 2030 (ambos com ano base 2005). Diferente de alguns outros países, o Brasil estipulou metas absolutas.

Setores cruciais para a obtenção desta redução: florestas, agricultura (fortalecer o ABC), indústrias (tecnologia limpa, eficiência energética, infraestrutura no Brasil) e transporte.

E agora?

As perspectivas do GHG Protocol Brasil para o ciclo 2017:

  • Diretrizes agropecuárias: contabilização de mudança de estoques de carbono em práticas agrícolas e obrigatoriedade da inclusão de mudança no uso da terra.
  • Concepção e criação do selo platina: GTS serão criados para este fim.
  • Acreditação 120 verificadores acreditados → relato de emissões, remoções e biogênicos.
  • Além da participação de workshops com todos os atores envolvidos: acreditação + verificação + relatos dos inventários GEE.