2º Encontro Cadeia de Fornecimento Responsável

O 2º Encontro Cadeia de Fornecimento Responsável, dnvrealizado pela DNV-GL com o apoio da report sustentabilidade, aconteceu no dia 19 de maio de 2016 e contou com a participação de representantes de Unilever, Grupo Boticário e Arcos Dorados McDonald’s.

Algumas ações do Grupo Boticário frente aos seus mais de 5.000 fornecedores foram descritas por Lígia Cabo, responsável pela cadeia de suprimentos do grupo. Ações de Desenvolvimento e Reconhecimento e o estabelecimento de um Guia de Sustentabilidade aos fornecedores foram duas das ações de suporte descritas  na intervenção. Auditorias realizadas regularmente são garantias que os fornecedores agem e evoluem de acordo com os princípios e objetivos do Grupo Boticário: no set de KPIs aplicados pela área de suprimentos, 20% são dedicados à sustentabilidade. Hoje, 67% dos fornecedores recebem estas auditorias, realizadas pela área de Gestão Técnica de Fornecedores com visitas e reuniões com o tema sustentabilidade; a meta é que no ano de 2018 este número chegue a 100%.

Para um resultado prático de um acompanhamento mais próximo à cadeia, Lígia Cabo trouxe o exemplo de um fornecedor que reduziu a energia consumida em seu processo de produção, tornando-o inteiramente a frio e ocasionando uma redução de consumo de energia levado e recompensado pelo grupo.

Outro exemplo de resultado prático de uma ação no varejo pode ser evidenciada na rede quem disse, berenice?: intensificação no uso de refis nos produtos, buscando a conscientização e integração do diálogo com os clientes, além da redução no consumo de água total e na geração de resíduos sobretudo.

Na sequência, Juliana Scalon da DNV-GL, relembrou os riscos em não se atentar às cadeias de fornecimento, ressaltando as dificuldades que sua complexidade trazem e o aumento da sensibilidade das partes interessadas.

Um exemplo é que a organização se assegure da não-existência de trabalho escravo dentro de sua cadeia de fornecimento. No Brasil, os principais setores que o trabalho escravo é verificado são a pecuária, carvão, cana-de-açúcar, soja, algodão e mais recentemente, a área têxtil e a construção civil. Há uma série de informações públicas que podem contribuir com integridade da cadeia de fornecimento, como listas de ONGs, IBAMA, Ministério do Trabalho, etc., nas quais são apontadas as empresas que não respeitam a legislação vigente ao tema.

Ademais disto, há protocolos sociais que devem refletir a Política e o Código da empresa e incluem a gestão de risco da cadeia de fornecedores, com referências para a avaliação de fornecedores por padrões internacionalmente reconhecidos: BSCI, SA8000, EICC, ETI. No Brasil, mais especificamente há a CLT, as NRs e decretos a respeito do setor.

Estas certificações podem ser conferidas de acordo com o país apontado em Standards Maps, além da possibilidade de realizar comparações entre diferentes países.

Em seguida, a Gerente de Fornecimento Responsável da Unilever, Cláudia Basseetto, expôs a Responsible Sourcing Policy da Unilever utilizada para gerenciar os fornecedores dos diversos setores em que atuam (limpeza doméstica, cuidados pessoais, alimentos e sorvete/bebidas). Lembrando que a empresa conta com 169.000 funcionários e cerca 2 bilhões de consumidores em todo o mundo.

Até 2020, a Unilever tem a ambição de dobrar o faturamento, reduzindo o impacto ambiental pela metade (GEE, água, resíduos, matéria-prima sustentável), além de aumentar o impacto social positivo, melhorando condições de vida, trabalho, saúde e bem-estar. O papel dos fornecedores é fundamental para a concretização desta ambição e é primordial se capacitar estes fornecedores.

A Responsible Sourcing Policy da Unilever tem 12 princípios fundamentais, com 3 prioridades: improving health and well-being, reducing environmental impact e enhancing livelihoods. A ideia é ir além das características dos países em que atuam, buscando uma uniformização mais humana e buscando acabar com extremos, como a legislação trabalhista da Tailândia que permite até 80 horas semanais de trabalho além de 26 horas extras.

A Unilever utiliza o protocolo de auditoria, denominado URSA (Understanding Responsible Sourcing Audit), que permite uma avaliação independente do desempenho de um fornecedor e em conformidade com todas as  leis e regulamentações aplicáveis, além também dos requisitos adicionais da Responsible Sourcing Policy. Ações para reforçar as boas práticas dos fornecedores também fazem parte deste conjunto de programas que traz o montante de 400 milhões de euros em economia/contenção de custos e redução do consumo de água em 28% na cadeia de embalagens.

Estevam Pereira, da report sustentabilidade, discursou sobre como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), divulgados pela ONU no ano passado, afetam os negócios e ajudam a colocar a sustentabilidade no centro da estratégia da empresa.

Os 17 ODS compostos de 169 metas a serem trabalhadas nos próximos 15 anos são baseadas nos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), frutos do compromisso firmado por 191 nações em setembro de 2000.

Enquanto o poder público era o protagonista nos ODM, com os ODS o setor privado e a sociedade são tão importantes quanto, retratando a visão holística dada a repensar o modelo de desenvolvimento.

Desta maneira, os países determinam seus ODS de acordo com suas características e política, mas isto não impede que as organizações não escolham outros, tendo em vista a interdependência dos objetivos. Os EUA, por exemplo, definiram 3 ODS: 4 (Educação de qualidade), 5 (Igualdade de gênero) e 16 (Paz, justiça e instituições eficazes). Em outro exemplo, Mali definiu 2 (Fome zero e agricultura sustentável), 4 (Educação de qualidade) e 8 (Trabalho decente e crescimento econômico).

O Brasil ainda não escolheu quais serão seus ODS, porém a Ambev já sinalizou que escolherá  o ODS6 (Água potável e saneamento), em função da sua expectativa de contribuição decorrente de suas inovações e investimentos.

Para a inserção dos ODS nos negócios, há 5 etapas para que as empresas apliquem estas ações:

 

  1. Entender os ODS, incluindo o conhecimento das metas, ferramentas e indicadores que devem ser avaliados;
  2. Definir prioridades; com o mapeamento da cadeia de valor e identificação de áreas de impacto;
  3. Estabelecer metas; envolvendo o estabelecimento do nível de ambição da empresa em relação ao objetivo escolhido;
  4. Integrar, que é a inserção das metas no negócio e a incorporação da sustentabilidade em todas as funções e;
  5. Relatar e Comunicar, relato e comunicação efetivos do desempenho da empresa em relação aos ODS.

 

Para acessar o guia elaborado pela ONU, GRI e WBCDS, clique aqui.

Saiba mais sobre os ODS: