Lançamento do estudo Eficiência no Uso da Água – Oportunidades para Empresas e Instituições Financeiras

No dia 14 de junho de 2016 foi lançado o post cebds1estudo Eficiência no Uso da Água – Oportunidades para Empresas e Instituições Financeiras pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em parceria com a agência de cooperação do governo alemão que oferece soluções sustentáveis em processos de mudanças econômicas (GIZ). O estudo servirá como apoio às instituições financeiras e empresas em suas decisões sobre o uso eficiente do recurso no Brasil. Parte do programa Diálogos sobre Finanças Verdes para Países em Desenvolvimento (EMD GF), financiado pelo Ministério Federal para Cooperação e Desenvolvimento Econômico do Governo Alemão (BMZ), tem o objetivo de desenvolver um programa de capacitação sobre riscos e oportunidades dos investimentos e financiamentos relacionados ao capital natural.

O evento também promoveu debates sobre a viabilidade de instrumentos financeiros que priorizem a sustentabilidade junto a empresas, instituições financeiras, setor público e organizações de classe.

Yannick Motz, Gerente de Projetos para Diálogos em Finanças Verdes para Mercados em Desenvolvimento da GIZ, discursou sobre as vantagens das instituições financeiras levarem em conta tecnologia pra melhorar a eficiência no uso da água. Para uma transformação para uma economia verde próxima às instituições financeiras, as informações sobre água (e consumo de recursos de maneira geral) devem estar na linguagem do setor financeiro com uma metodologia clara para incorporar a água no cálculo.

Gustavo Pimentel, da SITAWI, apresentou os resultados do estudo, que teve como objetivo apontar oportunidades para as instituições financeiras apoiarem uma transição para uma economia mais eficiente no uso da água; para isso, o capital disponível necessita rentabilidade para o setor produtivo. O potencial de utilização de 14 tecnologias foi avaliado em relação aos 10 setores mais significativos no PIB. A análise teve como objetivo avaliar a atratividade econômica de cada tecnologia do ponto de vista empresarial, para isso foram consideradas as variáveis: natureza do investimento (CAPEX ou OPEX), seus custos adicionais, economia de recursos e mitigações de risco implicadas. A viabilidade de cada tecnologia é quantificada através do cálculo do Valor Presente Líquido (VLP), com todas as variáveis mencionadas em um período de 15 anos comparada ao Custo Total da Água adicionada de certas variáveis ao cálculo que influenciam seu valor (tratamento da água, descarga de efluentes, localização da empresa, etc.). Para CEA = 0, não há lucro ou prejuízo no investimento. Quando o custo atual da água é maior que o CEA, o investimento tem retorno econômico e rentabilidade. Quando o custo atual da água é menor que o CEA, o investimento não tem retorno econômico, ou seja, o investimento não se torna atraente através do valor do CEA.

A tabela a seguir ilustra o potencial de utilização de tecnologia por setor.

Tabela - estudo

Fonte: Estudo Eficiência no Uso da Água – Oportunidades para Empresas e Instituições Financeiras, CEBDS, GIZ.

Mais informações sobre os resultados do estudo e o documento completo para download estão no site do CEBDS .

O painel sobre implicações para o setor corporativo brasileiro teve a participação de Joelcio Saturnino, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Veolia, Percy Soares, coordenador da Rede de Recursos Hídricos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mariana Grossi, do CEBDS, e Leonardo Gloor, Diretor Superintendente da Fundação ArcelorMittal Brasil.

Segundo Gloor, o Plano de Águas ArcelorMittal promove fontes alternativas de captação e melhoria no uso da água, considerando que a qualidade e quantidade são problemas na captação nos rios. Os riscos relacionados ao consumo e captação de água devem ser passados à alta administração e colocados na gestão de risco com probabilidade de impacto para cada unidade (risco legal e reputacional).

A CNI acredita que é necessária uma sistematização do custo do uso da água, para serem passados à alta administração com mais clareza, é necessário que os números estejam em reais, não em metros cúbicos, e está de acordo com a CBDES no aspecto de que ferramentas para a avaliação de riscos relacionados aos recursos hídricos devem ser estabelecidas de maneira preventiva à próxima crise. Soares citou que pequenas e médias empresas (90%) são clientes das companhias de saneamento, ou seja, no final das contas elas que arcam com os custos da ineficiência.

Grossi questionou a Gloor “como juntar o ODS 6 (água limpa e saneamento) à agenda da empresa?”. Gloor respondeu que a meta da ArcelorMittal é ser vista como usuária responsável de água dentro da comunidade. Ressaltando a importância em entender a cultura da empresa em relação ao meio ambiente: se o fornecimento de água é realizado com qualidade, se fontes alternativas são utilizadas e como é realizado o consumo na linha de produção.

Saturnino, da Veolia, adicionou que o viés econômico é sempre fundamental para a implantação de qualquer tecnologia, porém se a empresa não busca a eficiência hídrica, o poder público deve impulsionar essa cultura.

Percy, da CNI, trouxe ao debate o caso do Aquapolo, maior empreendimento para a produção de água de reuso industrial na América do Sul. Jorge Soto, Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, que estava na plateia, adicionou que o projeto Aquapolo teve a implantação viabilizada pela Braskem, que se engajou num compromisso de compra de 41 anos, friznado que a água do Aquapolo é um pouco mais cara do que a da concessionária.

Soares adicionou também que a pressão do setor financeiro na responsabilidade sobre gestão hídrica impulsiona melhorias tecnológicas, os estudos da CEBDS agindo na ideia que o saneamento é responsabilidade do governo também impactam nos custos das empresas. Brincou dizendo que a CNI insiste em duas frentes, uma frente ao poder público negando a necessidade de haver um marco regulatório e outra dizendo ao setor produtivo que a regulação é inevitável.

O painel sobre implicações para o setor financeiro brasileiro teve a participação do BNDES, do Banco do Brasil e da GV-CES. Houve o consenso de que os bancos tem que inovar sua maneira de negociar, se basear nos dados climáticos dos últimos 40 ou 50 anos não parece ser suficiente para modelar os negócios e que são necessários modelos com novas realidades de probabilidades.

O Banco do Brasil vem atuando de maneira mais sistemática a partir de 2010, cruzando áreas de agronegócio, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Se ressalta o engajamento do Banco Central do Brasil com relação à inclusão de análise de risco socioambiental em suas instituições através da Resolução 4327/2014, com diretrizes formalizdas a ser consideradas por todas as instituições autorizadas a atuar no país.