De volta da 5ª Conferência GRI em Amsterdã: nossa cobertura de fotos e destaques

2016-05-18 09.17.27 HDREntre os dias 18 e 20 de maio de 2016, passamos em Amsterdã para a 5ᵃ Conferência do Global Reporting Initiative, também conhecido como GRI. Para aqueles que não estão familiarizados com o que o GRI faz, este é o órgão que tem publicado diretrizes para relatórios de sustentabilidade e se tornado uma autoridade entre os profissionais em Responsabilidade Social Corporativa e atuantes no mundo corporativo (sem rodeios, as PMEs não têm relação com o GRI).

O mínimo que podemos dizer é que participar da Conferência GRI foi uma experiência produtiva e esclarecedora, com excelente networking e muitas conversas interessantes com os participantes.

No entanto, em nossa humilde opinião, alguns tópicos de nosso interesse no momento não foram discutidos o suficiente :

– Dissociar a nossa economia do nosso uso dos recursos naturais ainda é um grande problema importante para os Conselhos Corporativos, ainda que não tenha ouvido falar desta noção nas sessões em que estivemos;
– Transparência na cadeia de fornecimento e a responsabilidade aumentada no geral, para ambos os fabricantes e consumidores, e como os sistemas de informação podem ajudar foram assuntos apenas mencionados em uma sessão dedicada à Turquia (devidamente mencionandos muitos casos de escravidão em minérios na África, por exemplo), mas foi apenas isso!
– Queríamos mais whistleblowers, ESG-profit warnings e planos de negócios enraizados com questões ambientais, sociais e de governança (ESG), open data, novos modelos de negócios (circulares, colaborativos, economias funcionais) e como um software agrega valor nisso, além de mais apresentações aprofundadas sobre tópicos específicos, o que quer dizer menos painéis, que tendem algumas vezes a ser superficiais.

Aqui estão nossos destaques, pensamentos e alguns feedbacks sobre o conteúdo do evento. Na forma de um relatório de fotos.

Primeiramente, as palavras que mais nos impressionaram:

– A noção de inclusão (ouvir “Ninguém fica para trás”) estava em toda parte;
– ‘Não pense que comunidades e empresas têm interesses diferentes!‘!
– ‘Se as ONGs não existissem, você ainda teria pessoas em sua companhia dispostas a querer se comportar de forma responsável
– Suas promessas definem as medidas de confiança para o futuro;
– ‘Visão sem ação não é real, ação sem visão é passatempo, visão com ação pode mudar o mundo‘. (Joel Barker)

Tecnologia e (big) data têm sido consistentemente introduzidas como as novas coisas novas durante esta conferência; o que não nos veio como uma surpresa, já que nós na Verteego estamos na tecnologia, com a missão de ajudar nossos clientes a melhorar seus níveis de confiança junto aos stakeholders através da coleta, processamento, visualização e previsão de dados para o melhor. Aqui estão algumas das recomendações que tomamos nota:

– A necessidade de ferramentas para mudar culturas corporativas;
– Os dados devem estar disponíveis no momento certo e no formato certo, às vezes em tempo real;
– Os dados financeiros não dizem se um investimento está bom ou não: análise e interpretação dos dados fazem isto. O mesmo vale para os dados de ESG;
– Há um cansaço de questionário no ar;
– Quando há muitos dados para processar, a materialidade é o condutor para decidir o que você está procurando exatamente;
– Na maior parte do tempo os dados estão disponíveis, mas poucas pessoas sabem onde encontrá-los e extraí-los;
– Os dados não são úteis porque estão bonitos e coloridos;
– Tornar os dados legíveis por máquinas;
– Estamos longe de basear-nos em dados para extrair uma história corporativa;
– Obtenha os dados fora dos relatórios e fora do processo de reporting;
– Em todos estes aspectos, a taxonomia XBRL deve ajudar.

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A mesa redonda apresentada abaixo destacou a maturidade da comunidade de investimentos com os relatórios de sustentabilidade. Os investidores estão maduros e realmente não podem tomar decisões sem a produção de métricas de sustentabilidade! Além disso, os investidores estão percebendo que os relatórios de sustentabilidade são “the face”, mas precisam estar engrenados depois da devida diligência para certificar-se de que há progressos, como estão fazendo no Vietnã. A sustentabilidade deve ser uma força irresistível para fornecer mais e melhor informação aos consumidores. As mídias sociais também desempenham um papel fundamental na dispersão da notícia. Por exemplo, em Bangladesh, no minuto em que há um problema, como um dano, isto está nas redes sociais. As mídias sociais ajudam os stakeholders a identificar questões materiais !! Marina Migliorato, da Enel, também lembrou a audiência que as empresas nunca são grandes demais para falar e ouvir seus consumidores. De volta aos investidores, houve um consenso de que dados de sustentabilidade são necessários para ajudar os CEOs a discutir o futuro de suas indústrias para atrair novos fundos. Sobre investimentos estrangeiros, há potenciais custos ocultos se a sustentabilidade não tem a devida diligência. Por exemplo, o diretor de infraestruturas e serviços do governo das Filipinas disse que olhou para a cadeia global de valores, conformidade, etc.. E o Banco Mundial disse que o GRI virá fortemente à cena para mensurar a inclusão de projetos.

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Michael Meehan, CEO da GRI, fez uma boa introdução sobre o tópico, dizendo que a sustentabilidade passou de silos para jardins murados, traçando paralelo com a tecnologia quando a interoperabilidade de frameworks e linguagens não era possível. Meehan extendeu este paralelo para os profissionais do Vale do Silício e de RSC: pessoas que inovam, reanalisam o contexto para, em seguida, inovar e criar novamente (reforçando que não há um quociente emocional neste paralelo).

TECHNOLOGY IS EXPENSIVE SO INVEST IN CHANGE TO ACTIVATE LEVERAGE‘ – Michael Meehan

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Bob Massie, co-fundador da GRI e, aos nossos olhos, claramente um dos palestrantes mais esclarecedores no palco durante estes três dias, recordou sua frustração de quando foi compreendido como um reacionário verde durante reuniões com investidores, há não muito tempo atrás. Apesar dos tempos terem mudado, Bob Massies pensa que a batalha de conquistar Conselhos Corporativos ainda não terminou e que, questões urgentes, como as mudanças climáticas, precisam ser direcionadas agora e não na próxima geração. Massie enfatizou a mudança no próprio modelo de capitalismo, que se desenvolveu de melhoria (ou esgotamento) de capital financeiro apenas para melhoria (ou esgotamento) de ações múltiplas.

SUSTAINABILITY INFORMATION ISN’T INFORMATION FOR SOMEONE ELSE’S BENEFIT ANYMORE‘ – Bob Massie

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Um dos marcos da conferência tem sido o foco nos  17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) publicados no ano passado pela Organização das Nações Unidas. O ministro britânico, Desmond Swayne, resumiu estes objetivos em uma posição: é tudo sobre empregos! Swayne recomenda que as corporações permaneçam com o que são boas. Empresas são boas em prosperidade econômica, e as ODS são sobre isso, prosperidade econômica. De acordo com Swayne, quanto menos o mundo corporativo espera dos governos, melhor. De fato, governos são sobre a criação de um clima de boas vindas aos investimentos, e a criação de condições para uma economia de mercado. A economia informal precisa estar comprometida para se transformar legal por si só, e isto inclui a criação de um mercado incluindo novos benefícios.

Oficiais da União Europeia também trouxeram uma perspectiva importante e a noção de que contribuição não é tudo: está tudo bem maximizar valores se você minimiza os danos, como um pré-requisito. ‘Sem danos as corporações vão muito bem’, disse um comissário da União Europeia durante a conferência.

A ONU pediu mais ambição e velocidade na implementação dos ODS: “Nós temos que nos afastar de projetos piloto e pioneiros” para finalmente alcançar todas as organizações e ter um impacto.

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O chefe responsável pela Sustentabilidade e Inovação da gigante italiana de energia Enel, lembrou os participantes sobre a necessidade de grandes corporações trabalharem com startups. Finalmente, alguém falou sobre a inovação!

INNOVATION COMES FROM OUTSIDE. BIG IDEAS COMES FROM SMALL COMPANIES. BIG COMPANIES ARE IN PRISON AND NEED TO EMBRACE LATERAL THINKING AND OPEN INNOVABILITY‘ – Ernesto Ciorra

Ciorra também disse que corporações precisam de quatro coisas para abranger os ODS’s (talvez começando com apenas um ODS): startups, liderança, trabalho conjunto e tempo para implementação.

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O conselho GRI foi definitivamente um dos momentos mais interessantes para nós. A GRI está se movendo de diretrizes para um padrão, o que é uma grande jogada.

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Alguns destaques deste painel:

– Há várias necessidades de relatórios para vários momentos ou tópicos particulares (preocupação de stakeholder, requisitos de reporting, …) ou objetivos;
– Inicialmente, companhias não querem padrões porque não sabem como respeitá-los;
– A incorporação de informações de questões ambientais, sociais e de governança (ESG) ao tipo de prestações, como demonstrações financeiras, pessoas querem ter acesso a chave para o seu desenvolvimento;
– Melhores definições são centrais, como impactos (sobre os outros, não sobre a organização) ou limites (as vezes os limites estão fora da organização);
– Companhias estão relutantes em lidar com seus impactos negativos; isso é difícil de fazer, mas companhias precisam informar suas externalidades negativas à sociedade.

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E mais uma vez, os nossos destaques deste painel:

– Limites públicos de reporting para melhoria (o exemplo aqui foi o de CLP Holdings Ltd. e suas fatalidades: relatar estes dados permitiu à companhia fazer melhorias críticas, rapidamente);
– A diligência deve olhar não só para consequências negativas reais, mas também para potenciais consequências negativas no futuro;
– Algumas coisas são mais bem relatadas de um modo qualitativo, do que com números;
– Relatórios de sustentabilidade não são os relatos integrados, eles têm como alvo dois públicos diferentes. Os investidores são o que são um subconjunto do público dos relatórios de sustentabilidade;
– Relatórios GRI devem ser verificáveis, mas a garantia externa não é uma exigência, ou Empresas de Pequeno e Médio Porte nunca vão se juntar! ‘Esperamos que as seguradoras sejam muito céticas e nós estamos muito céticos sobre a garantia‘;
– Relatório não é uma colheita: as empresas não devem informar apenas coisas em que são boas;
– Ser compreensivo, é importante divulgar o positivo, o negativo e os erros;
– GRI foca no desenvolvimento sustentável, não no empreendimento sustentável.

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O Brasil foi definitivamente um dos países mais bem representados entre os participantes da conferência. A sessão brasileira foi muito interessante e começou com Lenora Suki, da Bloomberg, cujos slides demonstraram como os investidores brasileiros mudaram para agora entender que sustentabilidade tem implicações financeiras.

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Abaixo, Adriana Leles, da SANASA, forneceu um bom estudo de caso de como a sustentabilidade é aceita e reportada no setor público.

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Em seguida, Heloisa Colovan, da Itaipu Binacional, introduziu o programa Cultivando Água Boa, que ela lidera. O programa foi replicado em diferentes países, até mesmo no Brasil na Bacia do Rio Doce (onde o acidente da Samarco aconteceu). Heloisa Colovan também mostrou um filme sobre a integração de refugiados organizada por sua empresa, a Itaipu Binacional. Isto apresentou uma grande porta de entrada para postos de trabalho e segurança para as mulheres de todo o mundo que desembarcaram no Brasil, e provou sua utilidade, tanto que este exemplo foi compartilhado no território europeu, considerando os muitos problemas que a União Europeia enfrenta quando se trata de imigração. Para nosso conhecimento, este momento foi realmente o único durante a conferência que se falou sobre os refugiados, apesar da importância deste assunto no momento.

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Por último, Sonia Favaretto da Bm&F BOVESPA, demonstrou à audiência que, apesar da recente turbulência política, o Brasil ainda é, e mais do que nunca, um lugar onde os investimentos irão fluir, considerando o progresso que o mundo corporativo está passando para corresponder e superar os padrões globais, graças à sua curva de aprendizado interna e forçada.

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Houve também uma boa mesa redonda sobre as práticas de relatórios de RSC na China, com uma representante da consultoria Golden Bee, amiga da Verteego, entre os palestrantes (imagens abaixo)

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Fomos também para uma sessão muito boa sobre medidas e divulgação de valores compartilhados, retirados principalmente de exemplos da África. Aqui estão as nossas observações:

– Valor Corporativo Compartilhado (CSV) exige flexibilidade. Então quanto menos seguro, mais agilidade;
– Comunidades são às vezes mais poderosas do que os acionistas (por exemplo, um projeto multi bilionário ter sido bloqueado no Peru);
– IIRC e GRI têm pontos fracos: IIRC não tem questões de saúde envolvidas, e a GRI não vai longe o suficiente sobre implicações sociais;
– Valor Compartilhado é uma estratégia de negócios;
– Muitas vezes um projeto não cria uma situação vantajosa, então a comunicação de valor compartilhado também é sobre a divulgação dos dois lados da história;
– A comunidade de Investimento deve fazer as perguntas certas e questionar o verdadeiro valor dos projetos considerados;
– Talvez a maturidade esteja no setor de Recursos;
– A criação de valor compartilhado deve mostrar os benefícios econômicos, fornecer os grandes investimentos necessários para realmente fazer os projetos.

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Abdeluheb Choho, um vereador da cidade de Amsterdã, com um portfólio de Sustentabilidade, fez sua Agenda Sustentável de Amsterdã ser adotada com unanimidade pelo conselho da cidade. As prioridades são melhor qualidade do ar, energia sustentável, economia de energia e tráfego livre de emissões. Pode-se notar que muitos motoristas de táxi em Amsterdã dirigem um Tesla. ;-)

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Não se preocupe, também houve momentos de descontração.

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Foi possível também carregar a bateria do seu celular praticando esporte ao mesmo tempo:

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Outras fotos que pensamos em compartilhar com você:

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